Notícias | São Paulo, 15/05/2018

O futuro do trabalho na era da inteligência artificial

Estudos do Fórum Econômico Mundial apontam que, em menos de dez anos, um a cada três postos de trabalho deve ser substituído por robôs ou softwares inteligentes. No Brasil, mais da metade dos empregos podem ser automatizados, de acordo com dados do Banco Mundial e da OCDE.

Enquanto isso, o desenvolvimento dessas tecnologias traz a promessa de maior produtividade para as empresas: aumento de eficiência, segurança e conveniência. Uma pesquisa recente com dois mil executivos mostrou que, nos próximos cinco anos, a automação e a conectividade digital vão resultar em diversos benefícios para as empresas, como queda de 3,6 por cento ao ano nos custos. "Com o passar dos anos, estamos perdendo competitividade e a prestação de serviço está se tornando muito cara", afirma Luis Carlos Bento, CEO da Intervalor, uma das maiores companhias brasileiras dedicadas a serviços financeiros de crédito e cobrança. "Estamos em uma armadilha onde só conseguiremos ser um player consistente e persistente no mercado se mudarmos o jeito como executamos as atividades diárias", completa o executivo cuja empresa possui em desenvolvimento um robô capaz de realizar as atividades de até seis de seus colaboradores.

Para especialistas, o que define se uma profissão pode ser substituída no futuro não está somente relacionado ao trabalho manual, mas se as tarefas executadas são repetitivas. Dessa forma, cargos como operador de telemarketing, caixa de banco, corretor de imóveis, costureiro e até árbitros de futebol podem ser substituídos. Quanto mais rotineira e mecânica for a profissão, maior a probabilidade dela desaparecer.

No entanto, outros estudos apontam que a inteligência artificial e a robótica também criarão novas funções. Os empregos eliminados serão compensados por trabalhos recém-criados. Por exemplo, o governo alemão prevê que a digitalização e a automação criarão cerca de 390 mil novos empregos no terceiro setor nos próximos dez anos na Alemanha – e o país já possui uma das indústrias mais automatizadas do mundo. "Tudo, desde o fluxo de materiais até o gerenciamento de ferramentas, é controlado digitalmente nas grandes montadoras. As máquinas que produzem peças são administradas por apenas uma dúzia de seres humanos que monitoram os dados em tempo real", lembra Marc Puškaric, diretor geral da Bertelsmann no Brasil, empresa alemã que investe em mídia, serviços e educação no país.

É provável que essas tecnologias alterem a natureza do trabalho manual e do conhecimento, agregando valor ao que cada pessoa traz a sua função, e que o tempo agora possa ser utilizado para pensar novas estratégias e não apenas em fazer. Mas é a forma como as organizações se adaptam a essas mudanças tecnológicas que determinará a prosperidade econômica futura. "Não faz sentido ser gigante sem a preocupação com cidadania, sobretudo com relação aos colaboradores", comenta Bento.


Sociedade produtiva

À medida que as companhias educam, treinam e mantêm os canais de comunicação abertos durante o processo de automação, colaboradores que executam tarefas manuais devem ganhar oportunidades de se reciclar e serem realocados dentro do próprio ambiente de trabalho, numa vaga bem remunerada. "O nosso negócio tem uma característica de alta rotatividade, por isso, aqui na Intervalor, queremos reter as melhores pessoas por meio de programas e incentivos internos. É mais inteligente e adequado investir na capacitação delas", avalia o CEO.

A disrupção tecnológica no ambiente corporativo pode representar desafios significativos, tanto para as políticas públicas como para líderes empresariais. "Se colocarmos no papel que hoje são 13,7 milhões de brasileiros em busca de vagas e novas oportunidades, daqui dez anos este número será provavelmente muito maior", prevê Puškaric.

Para o executivo, a automação afetará a todos em maior ou menor grau, mesmo nos trabalhos que não exigem tarefas repetitivas como executivos, diretores e presidentes de grandes organizações. Treinando as pessoas agora, aumentamos a chance delas terem trabalho no futuro, seja em empresas ou investindo em seu próprio negócio", comenta. E também adverte. "Quando a educação não consegue acompanhar a tecnologia, o resultado é a desigualdade".

A Bertelsmann é uma companhia internacional de mídia, serviços e educação presente em mais de 50 países e suas atividades se organizam em oito divisões. No Brasil, o grupo alemão tem como principal foco de seus investimentos o mercado educacional, principalmente em e-learning, ensino corporativo, educação superior com foco em saúde e tecnologias educacionais, por meio da divisão Bertelsmann Brazil Investments (BBI). O fundo Bozano Educacional II, que se concentra na educação em saúde, por exemplo, é resultado da parceria entre o grupo e a empresa brasileiras Bozano Investimentos. A Companhia, liderada por PuškariÄ? no Brasil, investe, entre outros, na Affero Lab, um dos principais fornecedores de treinamento corporativo do país.

Neste cenário, cada vez mais empresas estão intensificando o seu compromisso com o pós-emprego, ajudando os colaboradores a desenvolverem habilidades. "Treinamentos tornam as pessoas melhores em seus empregos e, consequentemente, fazem as companhias mais produtivas. Por outro lado, melhoram as perspectivas de carreira e, portanto, a vida de cada um", comenta Alexandre Santille, CEO da Affero Lab, maior empresa de treinamento corporativo do Brasil, que impacta todos os anos, mais de um milhão de pessoas.

Até 2020, de acordo com o relatório produzido pelo Fórum Econômico Mundial, 35 por cento das habilidades mais demandadas hoje deve desaparecer, por isso, a criatividade, a flexibilidade e a adaptabilidade ganham tanta importância no contexto profissional, especialmente quando se leva em consideração que a inteligência artificial ainda passa longe de aspectos de gestão emocional. "Para competir internacionalmente, as empresas brasileiras precisam urgentemente de pessoal qualificado e que tenha habilidades como liderança e gerenciamento de projetos desenvolvidas", afirma PuškariÄ?.

Há vagas

Ao mesmo tempo que a tecnologia ameaça muitas vagas ela pode criar outras e elevar o papel que as pessoas desempenham em suas funções. Dessa forma, conforme o mercado de trabalho muda, as instituições de ensino superior precisam se adequar para preparar os alunos para os empregos do futuro. O desafio, no entanto, é grande: da forma como novos conhecimentos avançam, metade das habilidades que um aluno aprende durante os anos na universidade torna-se obsoleto no momento em que ele termina essa graduação.

Consequentemente, o avanço da tecnologia tem forçado a aprendizagem ao longo da vida. Por isso, cada vez mais jovens e profissionais com anos de mercado buscam por cursos a distância que se adaptam às diferentes rotinas. "É assim que eu vejo o futuro, migrando da sala de aula para ferramentas de aprendizado online", diz Puškaric.

A Udacity, conhecida como Universidade do Vale do Silício, é uma das startups que recebeu investimento Bertelsmann, por meio da divisão Bertelsmann Education Group. A empresa chegou ao Brasil em julho do ano passado e seu CEO, Carlos Souza, comemora a rápida adesão aos cursos online ou nanodegrees (que, em português, significa nanograduação ou graduação em curtíssimo tempo), em que alunos criam seu portfólio com a orientação de mentores e desenvolvem habilidades em web, mobile, análise de dados, big data, machine learning, entre outros. "Estamos crescendo a uma taxa de 5% a 15% por semana, atingimos a marca dos 4.700 estudantes e um faturamento de R$ 10 milhões".

A instituição permite que pessoas de todas as partes do mundo busquem seu desenvolvimento em um modelo inovador de formação profissional baseada em cursos de tecnologia desenvolvidos em parceria com companhias como Google, Facebook, Amazon, GE e Twitter. "A aprendizagem ao longo da vida é o futuro. As pessoas terão que continuar melhorando suas habilidades, porque a sociedade, os negócios, o mundo inteiro está evoluindo", completa Carlos Souza.

Nem sempre as empresas encontram trabalhadores disponíveis e com as competências que necessitam, mesmo tendo vagas disponível, Por isso, para Puškaric, o bom resultado da Udacity é também consequência da própria indústria de tecnologia, que demanda por profissionais qualificados. "Sempre existirá trabalho para os humanos, mas isso não significa que podemos ficar parados. Precisamos continuar nos reinventando", comenta.

SOBRE A BERTELSMANN

A Bertelsmann é uma companhia internacional de mídia, serviços e educação presente em mais de 50 países. Suas atividades se organizam em oito divisões: o RTL Group, de rádio e TV, líder em entretenimento na Europa; a editora de livros Penguin Random House, maior grupo editorial do mundo; o provedor de serviços Arvato, a empresa musical BMG; o Bertelsmann Printing Group, maior parque gráfico da Europa; o Bertelsmann Education Group, com alunos formados em 168 países e o Bertelsmann Investments, a divisão de investimentos corporativos da empresa.

O Centro Corporativo de São Paulo foi inaugurado em 2012. e, mais recentemente, o Bertelsmann Brazil Investments (BBI), que lidera investimentos, principalmente, em empresas de educação, como a Affero Lab, líder no mercado brasileiro em treinamento corporativo e e-learning.

As atividades do Centro Corporativo de São Paulo também dão suporte às divisões que atuam no Brasil: do RTL Group, a Fremantle Media Brasil, vem trabalhando com as principais emissoras na produção de formatos como o THE X FACTOR para a televisão brasileira. A Penguin Random House possui participação em um dos maiores grupos editoriais do Brasil, a Companhia das Letras. O Bertelsmann Music Group (BMG) passou a gerenciar direitos musicais no país através da abertura de filial em julho de 2016. A Arvato que, além de disponibilizar um portfólio de serviços relacionados à gestão da cadeia de suprimentos e impressão, expandiu seus negócios de serviços financeiros no Brasil após adquirir participação majoritária no fornecedor de serviços financeiros Intervalor. O Bertelsmann Educational Group, através da empresa de tecnologia e educação Udacity.