Notícias | Gütersloh, 12/07/2017

“Um marco para a Bertelsmann”

A Bertelsmann terá em breve 75 por cento das ações da Penguin Random House. Além dos 53 por cento que já possui, o Grupo alemão adquiriu outros 22 por cento que pertencia à Pearson. A companhia britânica de mídia e educação, que detinha uma participação de 47 por cento no grupo editorial, continuará sendo co-acionista, com 25 por cento. Nesta entrevista, Thomas Rabe, presidente executivo e executivo-chefe da Bertelsmann, comenta sobre o contexto e as razões por trás da expansão na participação.

Sr. Rabe, o que o anúncio significa para a Bertelsmann?

Thomas Rabe: Este dia definitivamente tem uma dimensão histórica para nós: 182 anos após a publicação do primeiro livro da Bertelsmann, estamos prestes a nos tornar proprietários de 75 por cento do maior grupo editorial do mundo.

Por que a Bertelsmann queria aumentar para 75 por cento a sua participação na Penguin Random House?

Thomas Rabe: Há razões comerciais e também estratégicas. A Penguin Random House é uma empresa economicamente muito bem-sucedida, que nos deu muita alegria desde a sua fundação, em 1º de julho de 2013. A incorporação ocorreu sem o menor problema. O grupo editorial é muito lucrativo e possui boas perspectivas de crescimento. Ao aumentar nossa participação, mais de 60 milhões de euros serão adicionado aos acionistas da Bertelsmann, uma indicação clara dos benefícios econômicos.

E quais são os motivos estratégicos?

Thomas Rabe: O aumento da participação acionária está em linha com nossas prioridades estratégicas. Isso fortalece o nosso core business mais antigo. Além de estar dirigindo e moldando a transformação digital da indústria de livros, a Penguin Random House é uma empresa internacional com forte presença nos EUA, comanda posições de liderança em mercados importantes, como a Grã-Bretanha. Espanha e América Latina, e tem um claro potencial de crescimento nas regiões emergentes da China, Índia e Brasil.

Quais as consequências tangíveis do aumento da participação?

Thomas Rabe: Em matéria de governança, agora vamos eleger quatro membros do Conselho da Penguin Random House e a Pearson elege dois, ao invés de três de membros como antes, e perde o direito de nomear o presidente do Conselho. Agora lideramos também essas posições-chave. Markus Dohle, que dirige a empresa com grande sucesso desde a sua fundação, permanece como CEO do grupo editorial.

... e qual será o impacto - especialmente financeiro - do aumento da participação na própria Bertelsmann e nas outras divisões?

Thomas Rabe: A Bertelsmann continua a ter uma margem financeira para investir no desenvolvimento e no crescimento de todas as suas oito divisões, de acordo com nossas prioridades estratégicas

O que o aumento da participação significa para a Penguin Random House?

Thomas Rabe: Significa continuidade e orientação a longo prazo. Graças a muitas conversas com gerentes e colaboradores da Penguin Random House, sei que este é o que eles queriam. A Bertelsmann e Pearson são experientes empresas de mídia e também parceiras. No futuro, as 250 editoras do grupo continuarão com suas atividades de forma independente. Só assim é possível explicar todos os grandes sucessos, seja no passado ou no futuro: o segundo livro de Paula Hawkins, "Into The Water" está prestes a conquistar as listas dos mais vendidos no mundo. Nos próximos meses, esperamos um segundo novo romance de John Grisham, o tão aguardado Dan Brown, o próximo Ken Follett e o novo John Green. No futuro, a Penguin Random House festejará dois grandes eventos literários: os livros de Barack e Michelle Obama.

Qual destes livros da PRH você aguarda com mais entusiasmo?

Thomas Rabe: Como milhões de pessoas em todo o mundo, estou curioso para ler o que Barack Obama vai contar sobre os seus anos na Casa Branca. Seu livro, como o de Michelle Obama, terá um tremendo impacto. Mas também estou ansioso pela publicação "Origem", de Dan Brown, no final de setembro. Com 80 milhões de cópias vendidas com "O Código Da Vinci", Brown não só nos deu um dos livros mais vendidos do mundo, mas também Robert Langdon, um dos heróis mais fascinantes da ficção contemporânea.