Notícias | Nova York, 25/05/2018

Relembrando Peter Mayer

Peter Mayer, ex-presidente e CEO do Penguin Group e fundador do The Overlook Press, morreu em Manhattan em uma sexta-feira, era dia 11 de maio. Ele tinha 82 anos. Durante a presidência de Mayer (1978 a 1997), a Penguin tornou-se uma participante global no mercado de editoração. Ele incentivou suas marcas a publicar uma ampla gama de títulos literários e comerciais para adultos e títulos de ficção e não-ficção para crianças, muitos dos quais ele pessoalmente adquiriu. Entre os renomados autores do Grupo Penguin, cujas carreiras se estabeleceram sob sua liderança, estão Paul Auster, Saul Bellow, T.C. Boyle, J.M. Coetzee, Don DeLillo, Robertson Davies, Jan Karon, William Kennedy, Stephen King, Terry McMillan, Iris Murdoch, e Salman Rushdie - incluindo o último 'THE SATANIC VERSES'. A carreira de mais de 50 anos de Mayer na publicação de livros também incluiu a criação, em 1971, do The Overlook Press. Ele presidiu a entidade independente “para publicar livros que por uma razão ou outra foram 'esquecidos'”.

O falecimento de Mayer está atraindo uma enxurrada de homenagens e lembranças sinceras de colegas da indústria editorial, incluindo do CEO Global da Penguin Random House, Markus Dohle; VP Viking e Editor Executivo, Paul Slovak, e do CEO da Penguin Random House UK, Tom Weldon.

"A fusão da Penguin Random House foi recente, mas as longas histórias de ambas as empresas foram criadas e enriquecidas ao longo do tempo por nossos lendários escritores e líderes, especialmente Peter Mayer, a quem tive o verdadeiro privilégio de conhecer durante a última década. Curioso e interessado como sempre, ele foi um dos primeiros executivos que me recebeu em Nova York e me abrigou quando cheguei à cidade em maio de 2008. Ele apoiou minha jornada na Random House e ficou incrivelmente orgulhoso quando a Penguin Random House foi criada e eu me tornei seu quase-sucessor em sua primeira presidência. Durante seu mandato de 19 anos, Peter deixou uma marca permanente na Penguin - como o cargo de CEO mais duradouro depois de Allen Lane - e uma impressão inesquecível em todos nós. Ele era um cidadão global e, talvez, o primeiro executivo verdadeiramente global do mercado de editoração. Além de muitos programas e iniciativas internacionais, ele fundou a Penguin India em 1985. Ele era amado e respeitado em toda a nossa indústria por sua crença no poder da boa narrativa e por seu carinho sincero e apreço pelos leitores e pelo papel que desempenham no mundo. Ele será para sempre uma parte da família Penguin Random House”, disse Markus Dohle.

"No início dos anos 1990, quando eu era o diretor de publicidade da Viking, Peter costumava ir ao meu escritório por volta das sete da noite, com vinte e cinco centavos na palma da mão. "Paul, Paul" - ele dizia -"Você tem um cigarro? Bem, tenho certeza que sim". E nos sentávamos por uma ou duas horas, conversando sobre livros. Peter foi uma pessoa extraordinária. Bonito, inteligente, articulado, apaixonado, curioso, carismático. Um excelente amante de livros - com instintos incríveis tanto para o literário quanto para a área comercial. Ele era o coração e a alma da Penguin. Ele adorava fazer negócios. Ele se arriscava, defendia a liberdade de expressão, comprou e editou pessoalmente alguns dos mais importantes escritores do pós-guerra da Europa, entre muitas outras coisas. Ele também era uma pessoa divertida de se ter por perto. Ele tinha grandes histórias, grande sagacidade. Foi meu grande mentor e eu nunca o esquecerei”, relembrou Paul Slovak.

"Um dos poucos arrependimentos na minha carreira foi não trabalhar diretamente com Peter Mayer. Mas eu adorei quando me tornei CEO da Penguin UK em 2011 e nós dois nos encontrávamos ocasionalmente para beber e Peter me dava uma série de masterclasses sobre editoração e liderança de negócios. Ele era uma companhia generosa, curiosa, engraçada e brilhante. Provavelmente as três coisas mais importantes que ele me ensinou foram: publicar o melhor de todo tipo de livro; liderança é tentar fazer a coisa certa e isso significa que às vezes você não será popular; e nunca perca seu senso de humor. Ele era um homem maravilhoso e inspirador”, declarou Tom Weldon.